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letra de simplicidade - 100nome

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sempre dei a volta por cima, sem pisar ninguém
além do que a vida ensina, além do que a matéria contém
nem a dor me entretém, ‘tou refém do que quero
e enquanto não vir os meus bem, eu nem pondero

eu recupero o espaço, regenero o laço
mas em tudo o que faço, não altero a cl-sse
não modero o p-sso, a at-tude é a base
p’ró sucesso, mas se eu espero não chego à próxima fase

se a rua fal-sse, eu dava azo p’ra que ela mud-sse
vivemos com um prazo e um não garantido
mas se eu reclam-sse menos e fizesse mais um pedaço
do que é pedido, talvez no fim result-sse, mas é fodido

tanto espírito falido e eu a tentar dar o litro
todos os dias lido com cobras e abutres doutro tipo
todos os dias suscito, sinto que algo me inspira
e acredito que se ficar por cá não me envolvo nessa mentira

eles têm o povo na mira, dificilmente o jogo vira
enquanto gira, metade nem merece o ar que respira
sou pecador, mas meu amor vale mais que uma safira
o fumo afasta a dor, o meu valor ninguém mo tira

orientei o protótipo duma arma mortífera
vim mudar o estereótipo duma visão carnívora
nem deus me livra, eu sempre fui culpado
p’rós mais chegados eu sempre escolhi o lado errado

eu ‘tava farto de andar enrolado nessa víbora
tanta cabra e vaca que não é herbívora
só o tempo decifra
hoje ‘tou casado e não me podia ter calhado melhor na rifa

seja o que deus quiser e mesmo que ele não queira
dê por onde der eu faço as coisas à minha maneira
vira o disco, vira a página, o conto é sempre igual
o ciclo é natural a gente não p-ssa disto

a escolha é crucial, todos aderem ao ritual
se for preciso falam mal só p’ra ficarem bem vistos
metem-nos rótulos, tudo num molho de brócolos
se o diabo esfrega os olhos, eu roubo-lhe os óculos

dias monótonos, eu quero algo paradoxo
não vou acabar de joelhos neste sítio ortodoxo
não sou filósofo, tento ser eu próprio
basta um fósforo e gasolina p’ra sentires o ódio

mergulhei num lago de ópio
tentei mudar mas estraguei tudo ao ficar sóbrio
o caminho é obrigatório, sozinho pelo território
até que algum dos vossos deuses me consinta um velório

a lua preenche o vazio tão melancólico
uma noite que teima em me querer ver alcoólico
mais uma que queima ao sopro dum vento mórbido
eu não sou de logótipos, o meu tipo é lógico

não me iludo com a óptica que os meus olhos vêm
nem invejo a óptima vida que muitas das pessoas têm
rejo a minha retórica, escrevo a crónica de uma vez
talvez eu chegue longe só a rimar em português

hoje procuro a solidez sem rapidez
prefiro voltar atrás, por paz e sensatez
há coisas que tu não vês, vês como o tempo p-ssa
nada serve de invalidez, no fim do mês conta da casa

dá-me graça, ver eles a tentarem tomar a praça
a tentarem domar a traça e ela a dar à asa
nunca fui de farsas, nem gosto de muito chinfrim
não é pelas p-ssas, que não vejo o melhor para mim

não é o que achas, que me vai fazer ser melhor no fim
sempre dei o melhor de mim, sem ver jasmim no jardim
sempre tive afim de ser -ssim, igual a mim até ao final
real em cada rima, numa esquina sem potencial

vale o que vale, neste vale p’ra chegar à capital
‘tou há 10 na distrital a cozinhar sem avental
sem hipótese de intervalo, safo-me a bem ou mal
a morte responde a todos de forma igual

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